O que é ser verdadeiro? Será dizermos tudo, o que nos passa pela mente? Ou será cozinhar discursos, envolvendo-os em mel de falácias? Ou será ainda, a transmissão autónoma de sentimentos, alheados do mundo, como se tivéssemos a falar diante da nossa imagem, invertidamente reflectida?
Aquilo que penso, é que a verdade não existe. Logo, a essência de ser verdadeiro também não. Considero apenas, que existem várias realidades, personificadas por cada opinião que formulamos, e que colidem ou não, com as dos outros. Existem sim, interpretações do que é, ou da sua probabilidade, baseadas no escalonamento dos nossos valores.
Portanto, a dita “verdade” não é aferida da mesma forma por cada um de nós, e assim, podemos alternar, diferenciadamente, sobre se a pessoa A é, ou não verdadeira (ou real?).
Tudo o que se pretende, ou pelo menos aquilo que eu busco, é que as pessoas sejam, o que querem ser, e daí, logo retiro os pontos coincidentes com os meus, e as perspectivas desenhadas em pontos de fuga, que culminam no mesmo fim.
Ser verdadeiro, acaba então por se transformar em mais um cliché utilizado por nós, para tentar criar (quem sabe?), a ilusão que poderemos ser infinitamente felizes.